Tormento & Incoerência
 

 

CONVERSAS DE MATH COM UM ANJO - II

 

- Vc não veio até aqui para defender o 'grande livro'...???

 

- Tbm, entre outras coisas...

 

- Pois bem... Grande oportunidade para exercitar minha capacidade argumentativa... Adoro debates...

 

- Se achar pertinente...

 

- E não vou apoiar meu discurso apenas na limitação mitológica, que por tanto tempo foi à base de minhas críticas com relação a ele... Nem na pseudo-simplicidade e sua didática facilmente digerível, até pq. foi concebido para as massas...

 

- Faça como vc preferir...

 

- Meu foco seria discutir a forma cíclica de sua estrutura...

 

- Tenho mais tempo para vc do que o contrário...

 

- Personagens em situações paradisíacas, caem em desgraças, onde provam sua fé... Nestes processos passam por falsas provações... Até que após a dor voltam a condição feliz inicial...

 



 Escrito por Math às 16h01
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- Não sou eu que direi estar errada a sua observação...

 

- Simples teorias e técnicas de análise literária não fazem sentido aqui... É preciso erudição e fantasia crítica incomum, além de muito cuidado...

 

- Está dizendo isso pq...? Está com medo...?

 

- Tbm, mas sobre isso não quero falar... Volto onde parei. Não dá para menosprezar o que os séculos fez com os textos até que eles se condensassem no ' grande livro'... Isso seria tolo...

 

- Como tantas tolices que vemos toda hora...

 

- Penso muito no tipo de convencimento conquistado através da força mito-poética... Seu desprendimento extremamente atemporal e o cuidado com que o recurso das metáforas foi utilizado... As ligações entre os textos são intensas, porém muitas vezes, nos vemos diante de um labirinto de intenções...

 

- Pode ser mais claro...???

 

- Um imaginário criado, uma grande história desenvolvida para a inevitável imersão do leitor... Usando como cenário a saga judaico-cristã, não teria como não ser feliz...

 

- Vc está andando em círculos...

 

- A intersecção dos personagens foi muito bem estudada...

 

- Sim...

 

- São truques que não conseguiria conceber... Eles geram uma comoção que cria laços quase indestrutíveis com o leitor...

 

- Outro sim...

 

- É impossível ignorar que, descontando a paixão, há uma inegável qualidade ali...

 

- Certo...

 

- Este diálogo foi, apesar de lúdico, foi construtivo...

 

- Pq...???

 

- Cara a cara com seu cinismo, acordei para um fato... Passei a vida toda fazendo críticas ao 'grande livro'... Eram todas com fundamento... Mas não críticas no sentido negativo, me convenci agora... Eram apenas no sentido de comentário criterioso... Acordei... O 'grande livro' sempre me fascinou e eu nunca soube como lidar com isso...



 Escrito por Math às 16h00
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CONVERSAS DE MATH COM UM ANJO - I

E lá estava a figura, sete palmos... Não eram sete palmos sob a terra e sim sobre a terra... Meu campo de visão era inundado muito mais por líricos apêndices esvoaçantes (vestes e cabelo) do que pela matéria sólida representada por aquele ser. Sim, seu corpo era pequeno em relação a ilusão de ótica que esta cena eu tento  descrever... Por mais chocante que isso possa parecer a um cético, tive que me render a um fato: tinha um anjo diante de mim... Mais descrições...??? Sim, a figura era feminina... Era bonita...??? Sim, mas nada tinha a ver com uma ninfa ou algo parecido... Passava da idade que Honoré de Balzac mais valorizava, mas era muito jovem para ser considerada uma senhora... Outrosim com relação ao fato de me sentir relativamente atraído por ela... Com todos situados vejamos qual o conteúdo que uma visão destas poderia me acrescentar... Ela não falava, nem gritava, bradava... Mas eu não conceguia me concentrar muito em suas palavras...


"Mas quem de entre nós, pelo menos um dia da sua vida, não simulou um sentimento que não tinha e um entusiasmo que não sentia e repetiu uma opinião falsa para obter compensações, cumplicidades, sorrisos ou benefícios? Quem dá uma parte de si por vantagens pessoais prostitui-se como a mulher que atribui um preço à sua docilidade. Mas a prostituição da alma praticada pelos homens é mais ignominiosa do que a do corpo, e mais irremissível."

Giovanni Papini, in 'Relatório Sobre os Homens'



 Escrito por Math às 11h50
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Como dá para perceber, não ando com o mínimo de inspiração, vontade e aquela típica iniciativa de atazanar alguns com as coisas que escrevo aqui.

Não sei se é ressaca de início de ano, aquela típica época em que a gente não faz nada mesmo, está de férias, esperando as folias do momo passarem para voltarmos a vida normal.

Não sei se escrever perdeu o sentido, se não tem mais graça ou se os assuntos se esgotaram expontaneamente.

Não sei se é porque estou aguardando duas grandes decisões de terceiros, uma que afeta diretamente meus sentimentos, outra que afeta meu bolso. Ou seja: pode vir bordoada por todo lado. E na expectativa a gente fica congelado.

Não sei se é pq a atmosfera meio underground, dark e psicótica que procurei imprimir aqui está bem desbotada ou não está mais fazendo sentido.

Numa dessas a visão fica embaçada. E a gente vai matando um coelho por vez, aquele que está imediatamente a frente.

Fora isso algumas traições de pessoas próximas, muito próximas. Pessoas que foram ajudadas, amparadas e acolhidas quando precisaram. Pessoas as quais foram dadas segundas, terceiras e quartas chances. Acabo por concluir que é melhor assim, pois ter amigos desses é bom que estejam longe.

E é sempre assim: perdemos pessoas e ganhamos outras. Não no sentido de posse, no sentido de presença o que é muito digno e normal.

Basta ser ativo, para ser polêmico. Quem só faz média não passa por isso, mas no fundo é só. Ser intenso gera revolta naqueles que passam a vida a 10 km/h.

Pequeno parênteses: essas observações se referem a pessoas que nunca puseram os pés aqui, se é que entendem a metáfora. Todo mundo tem o direito de não concordar com o que eu escrevo, aí é outra história e isso faz parte do jogo.

Mas nem tudo é cinza no horizonte, pessoas interessantes sempre aparecendo, outras amizades que se fortalecem, gente que parece que não existe de tão humana e digna.

Hj é só uma breve conversa sem imagens para ilustrar.



 Escrito por Math às 11h18
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