Tormento & Incoerência
 

Até a nossa própria experiência ultrapassa, fatalmente, tudo o que pensamos. As ideias que temos são contingentes e falíveis. Não há unidade possível. Não há coerência possível. Um cristão apanha-se frequentemente em contradição com o seu credo, um socialista não é socialista todas as horas do dia, um conservador cede muitas vezes ao liberalismo.



 Escrito por Math às 17h33
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O esquecimento não é só uma vis inertioe, como crêem os espíritos superfinos; antes é um poder ativo, uma faculdade moderadora, à qual devemos o fato de que tudo quanto nos acontece na vida, tudo quanto absorvemos, se apresenta à nossa consciência durante o estado da «digestão» (que poderia chamar-se absorção física), do mesmo modo que o multíplice processo da assimiliação corporal tão pouco fatiga a consciencia. Fechar de quando em quando as portas e janelas da consciência, permanecer insensível às ruidosas lutas do mundo subterrâneo dos nossos orgãos; fazer silêncio e tábua rasa da nossa consciência, a fim de que aí haja lugar para as funções mais nobres para governar, para rever, para pressentir (porque o nosso organismo é uma verdadeira oligarquia): eis aqui, repito, o ofício desta faculdade ativa, desta vigilante guarda encarregada de manter a ordem física, a tranquilidade, a etiqueta. Donde se coligue que nenhuma felicidade, nenhuma serenidade, nenhuma esperança, nenhum gozo presente poderiam existir sem a faculdade do esquecimento.

Friedrich Nietzsche, in "A Genealogia da Moral"

Photography by:
Rene Asmussen



 Escrito por Math às 13h37
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Ok, quais são os tais fantasmas...???

Eles me cobram a cada instante um dinamismo excêntrico e implacável para lidar com as mais cotidianas das coisas... Exigem upgrades momento a momento na forma como levo a minha vida... Não folgam aos feriados, aproveitam para potencializar as exigências nestes momentos de maior ociosidade... Voltamos a rotina... Mas eles a odeiam... Passei a odiá-la também... Passo a querer acumular mais e mais experiências e informações... Mas em tudo há um limite... E avalio que o meu é raso... Hehe, olha eles me cobrando aí de novo... Pareço uma caixa d´água com um ladrão, por onde sai muita coisa, para entrar outras...

Sinto uma extrema fragilidade neste mecanismo que me foi imposto de forma inata... Uma ansiedade que de tão constante, se torna normal... Estou amortecido para ela... Não creio que consiga alavancar alguma experência nova e deliciosa, especificamente nesta lacuna da minha existência... Então só me resta explorar novas fontes... Porquê parado não posso ficar...

Mesmo com tantas questões me enxergo como feliz... Separo minha alma do corpo, levito alguns metros e observo... Gosto e não gosto... Mais não gosto... (olha de novo as cobranças)... Como disse o meu grande e sábio amigo, "nas manhãs os fantasmas se vão"... e não deixam saudade... Mas isso é como aquela feridinha que a gente vive cutucando mesmo sabendo que vai doer: eles nos deixam, mas um abandono mais duradouro nos deixam saudadosos... Natureza humana, se purificar a partir da dor...

A base do cristianismo é focada justamente nisso: o grande martir que salvou a humanidade a partir de seu sofrimento físico e pessoal... e como estamos definitivamente inseridos nesta ideologia (mesmo os dogmáticos e ateus) não existe hipótese de fugirmos deste fluxograma que nos foi traçado...

Mas...

Mesmo com tudo isso me rondando a limitada cabeça, estou feliz...

 

 

"A felicidade solitária não é felicidade "

Boris Pasternak

 

 

 

 



 Escrito por Math às 13h04
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Ainda não percebi o que vou fazer a propósito dos fantasmas da minha vida... Penso que tenho alguns... Certamente terei alguns... Talvez um dias os mostre aqui, ao vivo e a cores. Talvez os fantasmas possam ser mais que sombras ou então possam apenas desvanecer-se sem importunar mais. Isto tudo porque hoje numa longa conversa de muitas horas com um velho amigo, ele me chamou a atenção para essas verdades sobre mim escondidas... Revelou-me os processos da minha mente, chamando-me de o verdadeiro charlatão. Reconheci que sim, que o sou, porque a ele não adiantaria negá-lo. Não me permitiria, tal devaneio, sem uma sonora gargalhada. Mas ao longo da boa conversa falamos de tanta coisa... extenuante chegou a ser... Depois vim para casa e escrevi. Enchi 25 páginas de rabiscos e não cheguei a conclusão nenhuma. Talvez um dia releia o que escrevi e publique. Talvez um dia mostre os meus fantasmas.


Vieste comigo
Nesse jeito pós-moderno
De não querer saber nada
De não fazer perguntas
Essa pose cansada
Tão despida de emoção
De quem já viu tudo
E tudo é uma imensa repetição

Não fosse a minha competência para amar
E nunca teríamos acontecido
Num mundo de competências
E técnicas de ponta
A dádiva da fala
Quase já não conta

Depois quase ias embora
Desse modo
Evanescente
Não soubesse eu ver-te tão transparente
E teria sido apenas
Um encontro acidental
Uma simples vertigem
Dum desporto radical

Não fosse a minha competência para amar
E nunca teríamos acontecido
Num mundo de competências
E técnicas de ponta
A dádiva da fala
Já quase não conta


Foi isso que me fizeste durante toda a vida, amar na ilusão de nunca perder, e agora eu compreendo que corajoso é aquele que renúncia ao amor, mas a imagem que se tem daquele que renuncia é também a imagem da covardia. O amor é um sentimento tão poderoso que destrói a pessoa que ama, e eu nunca senti que amasse pelas palavras dos outros, e amo todos os dias porque aquele que ama é quem perde nesse absoluto de amar, ama-se sempre no futuro de ainda haver amor, ama-se no tempo que se perde a amar uma vida. Se soubesses as palavras que o amor consome para ser tempo e amar para sempre, deixa-me dizer o tempo como uma mentira que eu sentisse pelo amor que está perdido, talvez eu amasse o tempo das tuas palavras, ou o medo de as dizer como um ato luminoso a fingir o teu amor. Os meus sentimentos são uma pele envelhecida, mas nunca senti isso como uma destruição, porque esta história não é minha, podemos ainda viver num cenário de existência em que o amor será apenas uma ideia decorativa, a emoção estaria nesse jogo odiosoo em que cada um de nós seria uma disponibilidade do outro, tu na tua ilusão a corroer o tempo que me cria distâncias afetivas. Não escrevas mais sobre mim, peço-te, no teu silêncio a afastar os dias com palavras que nunca serviram para me dizer nada, nada nesse amor que só serve de imagem para sentirmos o quanto já não amamos, não escrevas porque o amor é a linguagem do próprio tempo, e o amor que tu perdes a escrever é a minha presença no teu pensamento.

Fernando Esteves Pinto


Muito cedo na minha vida foi tarde de mais. Aos dezoito anos era já tarde de mais. Entre os dezoito e os vinte e cinco anos o meu rosto partiu numa direção imprevista. Aos dezoito anos envelheci. Não sei se é assim com toda a gente, nunca perguntei. Parece-me ter ouvido falar dessa aceleração do tempo que nos fere por vezes quando atravessamos as idades mais jovens, mais celebradas da vida. Este envelhecimento foi brutal. Vi-o apoderar-se dos meus traços um a um, alterar a relação que havia entre eles, tornar os olhos maiores, o olhar mais triste, a boca mais definitiva, marcar a fronte de fendas profundas. Em vez de me assustar, vi operar-se este envelhecimento do meu rosto com o interesse que teria, por exemplo, pelo desenrolar de uma leitura. Sabia também que não me enganava, que um dia ele abrandaria e retomaria o seu curso normal. As pessoas que me tinham conhecido aos dezassete anos aquando da minha viagem a França ficaram impressionadas quando me voltaram a ver, dois anos depois, aos dezenove anos. Conservei esse novo rosto. Foi o meu rosto. Envelheceu ainda, evidentemente, mas relativamente menos do que deveria. Tenho um rosto lacerado de rugas secas e profundas, a pele quebrada. Não amoleceu como certos rostos de traços finos, conservou os mesmos contornos mas a sua matéria está destruída. Tenho um rosto destruído.

Marguerite Duras


 

 Morte

É o nome dado pelos vivos ao momento em que uns deixam de viver e outros desfazem a ilusão de um modo limitado de ser que nunca foi o seu.

de FSL in Os Fazedores de Letras, n.57 p.18

 



 Escrito por Math às 00h06
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"Fazer poesia é confessar-se."

Klopstock, Friedrich

 

"...ao contrário do que se julga e pôs a correr foi um botânico o autor da célebre frase, Uma rosa é uma rosa é uma rosa, um poeta teria dito apenas, Uma rosa, o resto caberia no silêncio de contemplá-la..."

Saramago, José


Bem, segue um texto nem um pouco poético, mas muito bem humorado para a reflexão tradicional do fim de semana... Ócio, jamais:

Quando estava no trânsito a caminho do consultório, tive um insight e percebi espantada que a televisão é um veículo sem buzina . Caso contrário, como explicar os milhões de pessoas que dormem e babam nas fronhas ao assistirem os péssimos programas exibidos? Acho que a TV deveria vir com um sensor que quando implantado na nuca dos telespectadores, buzinaria como uma jamanta desgovernada caso alguém fechasse os olhos para dormir. Cientistas dinamarqueses estão testando esse chip em golfinhos que aliás, acho um absurdo, pois que culpa têm os golfinhos sobre as palhaçadas transistorizadas feitas pelos humanos e exibidos em horário pobre, digo, nobre na TV? Por acaso golfinho tem TV no fundo da piscina, ou mesmo no humilde pedacinho de mar em que habitam com seus amiguinhos e concubinas? Hein? Hein? Isso é absolutamente revoltante! Acho que vou agora mesmo ligar para o primeiro ministro do Canadá e pedir uma retratação pública a esse desrespeito quanto aos nossos irmãos marítimos que vivem silenciosamente em seus kafofos sub-aquáticos. Aliás, os pobrezinhos ainda têm que viver com água até o pescoço provocados pelas chuvas torrenciais que alagam seus barracos e os fazem perder seus utensílios domésticos e ainda querem INSINUAR que os golfinhos VÊEM TELEVISÃO??!!? Isso é absolutamente aviltante e deve ser punido com prisões imediatas desses cientistas responsáveis por essas asneiras que só nos programas de auditórios mais palhacentos se encontra algo similar. Mas voltando à televisão ...o que pode ser dito sobre os comerciais cada dia mais violentos de nescau e avéia quaker que são exibidos no seio amamentatório do lar ? Crianças desamparadas e cheias de batom na boca, reclamam com a mamãe que nem sabem mais o que vestir para dormir, já que todos dormem pelados nas propagandas . Que tal colocar algumas tarjas negras nesses exibidos que se acham lindos mas que não passam de potes de mau gosto, vulgaridade e colesterol e que ASSUSTAM E TRAUMATIZAM essas pobres crianças? Sim, pois se ainda pusessem pessoas digitais e perfeitas com dentes brancos e faiscantes, vá lá. Mas o que vemos? Gente como a gente que não deveria estar na TV e sim nos escritórios e nas cozinhas dos bancos tomando café com os chefes ou então nos mictórios afogando as mágoas depois de uma chapinha mal feita nos cabelos. Freud já dizia: "Não mostrai a verdade para as crianças caso queira que elas vivam uma fantasia familiar carnavalesca que você criou pra elas, mas que no íntimo do ser, sabemos que tudo não passa de bullshit". Sou a favor da verdade desde a mais tenra idade quando com três anos fiquei sabendo PRA QUE realmente serve o vaso sanitário - isso foi um choque pra mim, já que minha santa bisavózinha índia tinha um frondoso pé de jaca plantado em um lindíssimo vaso sanitário rosado em seu vasto pomar. Foi uma verdade triste mas que fortaleceu meu sistema psico-intestinal-digestivo e hoje sou esse pequeno rochedo de gibraltar ambulante que TENTA ajudar os jovens transtornados que infestam meu consultório. Não sei onde a humanidade vai parar desse jeito, pois não há nada mais horrível que o despertar melodramático que temos que aturar ao nos depararmos com a breguice piolhenta de nossas novelas . O destino da TV é se auto destruir pois vai chegar um tempo em que nem ela mesma irá agüentar olhar para seus canais - a menos que os autores de circo voltem a ativa e escrevam dramas que sejam verdadeiros para o nosso povo, como a excelente peça juvenil "o filho do sapateiro", por exemplo . Já fui convidada a fazer um programa vespertino numa rádio pirata em Capial do Brucutú, mas tive que recusar pois não teria a liberdade que tenho aqui ( imagine que queriam que eu vendesse um produto anal barulhento e que eu nem sequer acredito ou uso ). Isso eu não faço! Mas se fosse uma propaganda do PODEROSO HERBATRONICMAX - desenvolvido por mim - para cérebros flácidos e sem vida ( que será lançado em novembro ), quem sabe?

Todos os direitos reservados a Dr. Loreleine Botelho



 Escrito por Math às 17h31
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O saber não é o absoluto, mas é absoluto como saber

Esta frase de "Morte em Veneza" de Thomas Mann está completamente fora de meu contexto mas é absolutamente bárbara:

"A paixão paralisa o sentido crítico e aceita de bom grado, com seriedade, tudo aquilo que o sangue-frio tomaria humoristicamente ou recusaria impaciente."



 Escrito por Math às 12h48
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A condição soberana do saber é o silêncio

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 Escrito por Math às 14h23
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Nunca fui fã de hot roads, mas foi até conhecer o trabalho do californiano Chip Foose... Seu estúdio de tuning me impressionou, pela criatividade, esmero nos acabamentos e apuração técnica mecânica... Publico hj um de seus trabalhos...

E pensar que toda esta carroceria foi feita na mão, a partir de chapas planas, na base do martelo... As alterações mecânicas são mais imprecionantes ainda...



 Escrito por Math às 12h58
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Uma lista de novas bandas, intercaladas com algumas imagens:

Procyon Project


Martin O


Kraftwelt


Norman Cook


The Sugarhill Gang


Mouth Organ


Subheads


Blunt


Zero 7


Meat Katie


Dub Pistols


Dave London


Kevin Aviance


Way Out West


Prophets Of Sound


Paul Bosco


Quiet Killaz


Herbal Infusion


Fortunato & Montresor


Christian Cambas


Mainline


Marscrusier


Goldfrapp


Mobilegazer


General Midi


Finch

Uma das melhores coisas da vida é pegar uma baladinha... A noite oferece muitas oportunidades e perspectivas que fica até difícil de se contar nos seus dedos as coisas legais que acabam rolando... Mas um aspecto legal de tudo isso é ficar analizando os flashs da noite passada, no dia seguinte... Uma mistura de realidade e sonho se impõe em nossa memória... Muitas imagens, sons, personagens e sabores se intercalam em nossa mente... Pode ser efeito da graduação etílica ou simplesmente um feitiço da noite, da lua, ou dos personagens da madruga... Bem...!!! Isso é estar vivo... Pode não ser um grande estágio de consciência objetiva, mas marca... E como...



 Escrito por Math às 16h45
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Continuando a série "arte sobre 4 rodas", hoje o escolhido é uma máquina que desperta paixão... Me perguntaram qual era meu sonho de consumo... Respondí que não tenho este tipo de sonho... Daí disseram, larga mão de ser bobo e fala o automóvel que você acha o "mais-mais"... Bem, a uns poucos cliques do mouse, lá estava ele...

Bugatti Veyron 16.4

Motor de 8 litros
16 cilindros
04 turbos
1001 cavalos de potência
Torque de 1250 nm
04 válvulas por cilindro (total de 64)
07 marchas
400 km/h de velocidade final aproximada

Exterior bi-color (são mais de vinte camadas, mais os vernizes)

Notem o acabamento do couro

Mostradores analógicos

Madeira na alavanca de câmbio

Equipamento de som exclusivo

Painel estilo retrô

Assinatura em alto relevo na carroceria

Conjunto óptico e rodas 22"

Um motor destes deve mesmo ficar exposto

Obra de arte sobre obra de arte

Até as setas do carro são meticulosamente dispostas nos retrovisores



 Escrito por Math às 21h32
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Me desculpem os puristas... Me desculpem meus leitores... Ma ví algo que me pareceu arte... Arte sobre 4 rodas... Não sou o fã número um de tuning, mas isso me fez ficar tarado....

Se mais alguem curte tuning, é só solicitar... Chip Fosee neles... hehehe...



 Escrito por Math às 04h39
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Sabem aqueles dias em que a gente não sabe ao certo nosso papel neste mundo...??? Estou assim... Não esperem muita coerência nestas letras e imagens...

Father says it, mother says it
Sister says it, brother says it
Uncle says it, Auntie says it
Everyone at the party says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The horse says it, the pig says it
The judge in his wig says it
The fox and the rabbit
And the nun in her habit says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



My mate Bill Gates says it
The President of the United States says it
The slacker and the worker
The girl in her burqa says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The general with his tank says it
The man at the bank says it
The soldier with his rocket
And the mouse in my pocket says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The drug-addled wreck
With a needle in his neck says it
The drunk says it, punk says it
The brave Buddhist monk says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



Hit me up, baby, and knock me down
Drop what you're doing and come around
We can hold hands till the sun goes down
Cause I know
That you
And I
Can be
Together
Cause I love you



The blind referee says it
The unlucky amputee says it
The giant killer bee
Landing on my knee says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The cop with his breathalyser
The paddy with his fertiliser
The man in the basement
That's getting a taste for it says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The fucked-up Rastafarian says it
The dribbling libertarian says it
The sweet little Goth
With the ears of cloth says
Babe, I'm on fire
Babe' I'm on fire



The cross-over country singer says it
The hump-backed bell ringer says it
The swinger, the flinger
The outraged right-winger says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The man going hiking says it
The misunderstood Viking says it
The man at the rodeo
And the lonely old Eskimo says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



[Chorus]

The mild little Christian says it
The wild Sonny Liston says it
The pimp and the gimp
And the guy with the limp says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The blind piano tuner says it
The Las Vegas crooner says it
The hooligan mooner
Holding a schooner says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The Chinese contortionist says it
The backyard abortionist says it
The poor Pakistani
With his lamb Bhirriani says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The hopeless defendant says it
The toilet attendant says it
The pornographer, the stenographer
The fashion photographer says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The college professor says it
The vicious cross-dresser says it
Grandma and Grandpa
In the back of the car says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



[Chorus]

The hack at the doorstep says it
The midwife with her forceps says it
The demented young lady
Who is roasting her baby
On the fire
Babe, I'm on fire



The athlete with his hernia says it
Picasso with his Guernica says it
My wife with her furniture
Everybody!
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The laughing hyena says it
The homesick polish cleaner says it
The man from the Klan
With a torch in his hand says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The Chinese herbologist says it
The Christian apologist says it
The dog and the frog
Sitting on a log says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The foxhunting toff says it
The horrible moth says it
The doomed homosexual
With the persistent cough says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



[Chorus]

The Papist with his soul says it
The rapist on a roll says it
Jack says it, Jill says it
As they roll down the hill
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The clever circus flea says it
The sailor on the sea says it
The man from the Daily Mail
With his dead refugee says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The hymen-busting Zulu says it
The proud kangaroo says it
The koala, the echidna
And the platypus too says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The disgraced country vicar says it
The crazed guitar picker says it
The beatnik, the peacenik
The apparachick says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire



The deranged midnight stalker says it
Garcia Lorca says it
The hit man, Walt Whitman
And the haliototic talker says
Babe, I'm on fire
Babe, I'm on fire

Fico devendo o fim da canção de Nick Cave...



 Escrito por Math às 02h11
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